O Governo de Goiás lançou, nesta terça-feira, 1º de dezembro, por meio do Facebook da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids 2020, com mediação do superintendente de Atenção Integral à Saúde e da gerente de Atenção Primária da SES-GO, Sandro Batista e Ticiane Peixoto, respectivamente.  

O documento descreve e divulga o cenário dos casos de HIV e aids nos 246 municípios goianos, bem como subsidia o planejamento e aperfeiçoamento das ações da atenção, prevenção e vigilância dessa doença no Estado. 

“Vivemos um período pandêmico, mas não podemos esquecer que aids é uma pandemia também, acontece no mundo todo, é uma doença que ainda não tem cura, tem controle, e nós temos muito ainda que avançar”, destacou o infectologista do Programa de DST/Aids e Hepatites Virais do município de Anápolis, Marcelo Daher. 

O médico esclareceu a distinção entre os termos HIV e aids. A maioria das pessoas vivendo com HIV não tem aids. O termo aids é uma sigla que descreve uma síndrome de infecções e doenças oportunistas que podem se desenvolver à medida que a imunossupressão aumentar durante a evolução da infecção pelo HIV.  

“O paciente que chega com quadro de sintomas de AIDS, ao longo do tempo, com o tratamento, que é altamente eficaz, reverte isso tudo, e ele fica só HIV positivo, porque ele não tem mais doenças oportunistas, a carga viral fica indetectável”, explica o infectologista.  

Teste e tratamento

Daher destaca que o acesso ao tratamento contra HIV/aids é fácil, com oferta gratuita dos medicamentos e que também é importante fazer a testagem para identificar casos positivos. Quanto mais a população for testada, mais se identificam pessoas com o vírus, tornando a prevenção mais eficaz. “Também consigo tratar a pessoa HIV positivo, que tem menor chance de adoecer, terá melhor qualidade de vida e transmitirá menos o vírus”, esclarece. 

A pessoa interessada em fazer o teste deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou postinho de saúde de sua cidade. O teste rápido é distribuído aos 246 municípios de Goiás. Caso o resultado seja positivo em dois testes rápidos, o paciente é encaminhado ao Serviço de Assistência Especializada para exames e início do tratamento.

Em Goiás, o tratamento é oferecido em 13 Serviços de Assistência Especializada, que atendem pacientes vivendo com HIV nos seguintes municípios: Goiânia (Centro de Referência em Diagnóstico e Terapêutica (CRDT), HDT e Hospital das Clínicas/UFG), Anápolis, Aparecida de Goiânia, Jataí, Rio Verde, Iporá, Catalão, Santo Antônio do Descoberto, Cidade Ocidental, Caldas Novas e Itumbiara.

Prevenção

Marcelo Daher também alerta sobre a importância da prevenção, a exemplo do uso de preservativos, e dos atendimentos de Profilaxia Pós-Exposição (PEP). Goiás distribui gratuitamente, em média, 7 milhões de preservativos masculinos ao ano, além de preservativos femininos e gel lubrificante, por meio das UBSs nos municípios.

Já os atendimentos de PEP estão disponíveis em unidade de saúde 24 horas, como, por exemplo, Centro de Atenção Integrada à Saúde (Cais) ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Em Goiânia, a PEP está sendo ofertada nas UPAs Novo Mundo, Noroeste, Itaipu e Cais Campinas. É importante observar que a PEP não substitui o preservativo.

Tais atendimentos são oferecidos a pessoas que tiveram possível contato com o vírus HIV em situações como: violência sexual, relação sexual sem camisinha ou com rompimento do preservativo e acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou em contato direto com material biológico). Para ter eficácia, a PEP deve ser iniciada logo após a exposição de risco, em até 72 horas, e deve durar 28 dias. 

Pré-Exposição

A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), por sua vez, consiste no uso preventivo de medicamentos antes da exposição ao HIV, reduzindo a probabilidade de a pessoa se infectar com o vírus, sendo usada exclusivamente por pessoas não infectadas pelo HIV. A PrEP é oferecida em oito Serviços de Assistência Especializada: Centro de Referência em Diagnóstico e Terapêutica (CRDT) e Hospital de Doenças Tropicais (HDT), em Goiânia; Anápolis, Jataí, Cidade Ocidental, Rio Verde, Aparecida de Goiânia e Catalão (início em fevereiro/2021). 

Mas a PrEP não é para todos e também não é uma profilaxia de emergência, como a PEP. A população elegível para a PrEP são prioritariamente as populações com maior prevalência no número de casos de HIV no País: gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH),  pessoas trans, trabalhadores/as do sexo e parcerias sorodiferentes (quando uma pessoa está infectada pelo HIV e a outra, não).

Importante destacar, porém, que o simples pertencimento a um desses grupos não quer dizer que a pessoa deva usar a PrEP. São avaliados fatores como múltiplas parcerias, uso inconstante de preservativo nas relações sexuais, práticas sexuais como sexo anal sem preservativo, dentre outros. Atualmente, em Goiás, há 644 pacientes em PrEP.

Números

Em sua apresentação na ‘live’, a coordenadora de Infecções Sexualmente Transmissíveis e Aids da SES-GO, Daniele Prado, informou que, em Goiás, foram notificados 10.933 casos de HIV, de 2007 a 2020, dos quais 1.646 apenas em 2019. Ela ressaltou que os dados de 2020 são preliminares e não estão consolidados, por isso a análise no Boletim Epidemiológico HIV/Aids de Goiás é realizada com os dados fechados do ano anterior.

A maioria dos casos foram registrados em pessoas entre 20 e 39 anos de idade, predominando em 77% dos casos no sexo masculino e 23% no sexo feminino. Em relação aos 1.646 casos notificados em 2019.

O evento está disponível no Facebook da SES-GO e pode ser acessado por meio do link: https://www.facebook.com/saudegoias/videos/1537692833285166

 

Fonte: Portal Goiás

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